
A noite fria acalmou o frágil corpo de Jayne. Seu dedos, eram pedras de gelo, e seu queixo, apenas tremia. Os olhos castanhos e levemente esverdeados, encaravam a escuridão extensa e profunda. O sonho da menina era conseguir ir além dele. Conseguir se emergir em um profundo silêncio, apenas consigo mesma e seus pensamentos. Estalou a língua e virou-se para o quarto. Caminhou até o banheiro e fitou seu reflexo no espelho. A parda pele com muitas pintas eram de fato algo que atraia olhares. Porém, a beleza era guardada, já que para a mesma, não adianta mostrar o exterior se não há nada no interior. Sente-se vazia, e o peito dói. Em uma fração de segundos os globos oculares enchem-se de água, e lentamente, esse líquido escorre por seu rosto. Nada mais importa para Jayne. Nada disso faz sentido. Aliás, sua vida, é tão miserável ao ponto de que nenhuma falta teria dos amigos, ou das festas. O medo percorre por sua entranha, e seu estômago ronca, pois passara já doze horas sem nenhum alimento. Voltou subitamente a olhar para seus olhos. Foi ao profundo do seu consciente, e tentou resgatar a Jayne de sete anos atrás. Nada. Apenas resquícios de ódio e dor que tivera de enfrentar. Tudo volta em um solavanco, e mais lágrimas escorrem. Suspiro...
Isso é demais já não aguentava mais o sofrimento de ter que sorrir quando na verdade apenas quer desaparecer. Isso é demais, não aguenta mais sair quando nem gosta. Isso é demais, não aguenta mais mentir quando está pedindo socorro. Isso é demais, não aguenta mais ficar neste mundo, quando quer se matar.